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Sunday, October 21, 2007

E O ET DE OURO VAI PARA: O THEATRO CAPITÓLIO


Em um dos meus primeiros artigos, falei sobre a Cultura sem lar, cobrando das autoridades a restauração e revitalização de espaços destinados à utilização cultural.

Mais uma vez, volto ao tema, impulsionado por dois acontecimentos: Os 80 anos de fundação do Theatro Capitólio e a realização do 6º Festival de Cinema de Varginha.

Falo sobre os dois assuntos com propriedade. Mato a cobra e mostro o pau!

Freqüentador assíduo de todos os eventos que aconteciam no Capitólio, desde que me entendo por gente, ali me deliciei com shows de MPB (Zélia Duncan, Ana Carolina, Joanna, Almir Sater, Roupa Nova, Paulinho Pedra Azul, Taiguara, Edson Cordeiro, Roupa Nova), música clássica (Orquestra de Câmara de Stuttgart), companhias de balé internacionais (Ballet Folclórico da Rússia e da China, Ballet Folclórico da Eslováquia, da Ucrânia e Ballet da Biello Rússia), inúmeras peças teatrais e, por fim, com a apresentação de documentários, curtas e longas-metragens, durantes os primeiros anos do citado Festival. Produções inesquecíveis de gênios do cinema nacional, como Cama de Gato, Avassaladoras, O Casamento de Louise, Onde quer que você esteja, Timor Lorosae – O massacre que o mundo não viu...

Pois então! Este belíssimo espaço, considerado por muitos um dos teatros mais charmosos do interior do Brasil, está agonizante! E lá se vão mais de 3 anos de agonia! Eu mesmo ouvi da boca do prefeito de Varginha, Mauro Tadeu Teixeira, a promessa de que entregaria o Capitólio totalmente restaurado, ainda no ano corrente. Além da promessa ao povo, consta que o prefeito também o prometeu a seu falecido pai, o incansável Mauro Teixeira, grande batalhador da cultura regional. Mas, pelo andar da carroagem, vejo que as palavras foram ao vento...

Sei e reconheço que existem outras prioridades. Que nos dois mandatos de Maurinho Teixeira, muito foi realizado em favor da cultura. Admiro e defendo sua administração. Não é segredo! Mas sou obrigado a cobrar providências. A exigir o cumprimento da palavra empenhada. Ou vamos repetir no município a falácia que é tão comum em outras esferas do poder?


Por um momento, sinto ciúmes das vizinhas Boa Esperança, Três Pontas, Poços de Caldas e Pouso Alegre, com seus espaços culturais sempre disponíveis. Estou certo de que estas cidades receberiam de bom grado as tantas iniciativas que se vê em Varginha: Festival de Cinema, Festival de Teatro, Festival de Poesia, Festival de Caricaturas, Aceita Cultura...


E hoje, após cobrar o que creio ser de direito, quero ressaltar o sucesso do Festival de Cinema de Varginha, levando a 7ª Arte à rua, através do Cine Tenda. Oportunidade para que o povo participe, capitaneado pelo incansável amigo Marcelo Nascimento, cineasta e Presidente do tão falado Festival. Espero que, em 2008, o evento tenha como palco principal o Theatro Capitólio... E, se não for pedir muito, quem sabe algumas sessões no Cine Rio Branco? E quem sabe, também, algumas exibições na antiga Estação Ferroviária?


Vamos levar cultura a todos os cantos da cidade! Vamos privilegiar o que é nosso! E que no ano que vem, o ET de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cinema, possa homenagear seu melhor representante: O Theatro Capitólio.

Wednesday, October 03, 2007

SÉRIE CIRCUITOS MG – TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA (III)


Retomando a série Circuitos de Minas Gerais, esta semana viajaremos pelas “Terras Altas da Mantiqueira”, onde estão as cidades de Alagoa, São Sebastião do Rio Verde, Delfim Moreira, Virgínia, Marmelópolis, Itamonte, Itanhandu, Passa Quatro, Pouso Alto e seu distrito, Santana do Capivari.

Muito bem define o sítio “Idas Brasil” ( http://www.idasbrasil.com.br/ ), quando diz que “o primeiro desafio dos desbravadores de Minas era transpor suas montanhas. Já do litoral podia ser avistada a altivez de Minas.”

Mantiqueira, em tupi, quer dizer "serra que chora", devido às inúmeras cachoeiras que enfeitam a cordilheira. Os rios Capivari e Aiuruoca, descem as montanhas em corredeiras e cachoeiras, convidando o turista a um delicioso banho nas cristalinas e abundantes águas da região, que é uma das mais altas do Brasil, recortada por profundos e formosos vales. O tapete verde da Mata Atlântica se estende pelo relevo, onde se refugia uma rica fauna. O Circuito Terras Altas da Mantiqueira é um dos mais completos roteiros ecológicos do Brasil.

Em Passa Quatro, conta a história, os Bandeirantes, para chegar ao povoado, precisavam transpor quatro vezes o rio que a circundava o pouso. Daí o nome da cidade e do famoso rio. Nesta aconchegante estância, é impossível não se encantar com a “Pousada do Verde”, seus charmosos chalés e sua torre panorâmica. Um paraíso, onde o repouso é embalado pelos sons da natureza e pela simpatia de seus proprietários, Ana Maria e Paulo que, com um largo sorriso e uma prosa sempre agradável, recebem os visitantes – turistas, representantes comerciais e hóspedes rotineiros – ao redor de mesas coletivas, onde é servida a melhor comida mineira, acompanhada da tradicional cachacinha e dos queijos e doces que levam ao delírio...

Itamonte, com altitude variando entre 900 e 2670m, já próximo ao Pico das Agulhas Negras, tem uma das populações mais simpáticas do estado. Gente simples, que preza pelo bem receber. Difícil, é deixar a cidade sem conquistar amigos. Seja caminhando pelas ruas, seja tomando um aperitivo ou jogando sinuca em um dos muitos bares e botequins que se espalham pela cidade (com destaque para o Bar de Dª Nice, onde as proprietárias são a personificação da simpatia e onde se proseia sobre música, futebol, novela e política), o visitante sempre encontrará acolhida! Conversando com o trabalhador rural ou com empresários e pecuaristas locais, a impressão recorrente é a de que o povo de Itamonte proporciona sempre um espetáculo à parte, por sua cordialidade e pelo carinho com que recebe.

Dois fatos históricos marcam a história de Itanhandu: As Revoluções de 1930 e a de 1932. Ambas de curta duração, entretanto, com força para mudar os rumos do país. A primeira, dando o poder a Getúlio Vargas, candidato derrotado à presidência. A segunda, exigindo o fim do governo provisório de Vargas e a convocação de novas eleições. Nos dois acontecimentos a cidade ficava exposta a conflitos armados entre Minas e São Paulo, tendo em vista sua posição estratégica de fronteira. Toda a população era retirada e as luzes apagadas à noite. Dos combates de 32 participou um jovem tenente médico, futuro governador de Minas e presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, que declararia mais tarde a amigos: "minha carreira política começou em Itanhandu". Sede de uma das estações da estrada de ferro Minas-Rio, última grande obra do império, Itanhandu oferece magníficos passeios pelas montanhas. Ali, é possível conhecer a nascente do Rio Verde ou aproveitar as corredeiras, cachoeiras e a vegetação exuberante.


Virgínia, antigo distrito de Pouso Alto, leva este nome em homenagem à Virgem Imaculada Conceição, padroeira da cidade. Com temperatura média inferior a 19°, a cidade, onde nasceu o grande amigo Tiago Brito, tem como destaque as belas paisagens e o cultivo de frutas, sobretudo pêras, figos, marmelos e pêssegos, base para compotas de tirar o fôlego, pelo inigualável sabor.


A cidade de Pouso Alto é abençoada! Por suas ruas, pela natureza, pelo clima, pelo céu... Encanta todos que a conhecem. As montanhas que a cercam guardam em silêncio um passado onde vitórias e derrotas se entrelaçam para contar histórias. A cidade, que serviu como quartel general para os paulistas, na Guerra dos Emboabas, foi também o primeiro acampamento dos Bandeirantes nas terras mineiras. Palco de visitas da família Orleans e Bragança e recanto de imortais, como Manuel Bandeira e Ribeiro Couto, Pouso Alto faz parte da Estrada Real e é destino obrigatório para quem visita a região, sem antes passar por seu distrito, Santana do Capivari, um pitoresco vilarejo, onde o tempo teima em passar mais devagar...


Uma beleza incomparável e um povo sem igual! Clima ameno, boa cachaça, boa comida, doces de sonhos... Pescaria esportiva, caminhadas, passeios de trem e uma natureza como em poucos lugares se vê. É tudo isto e muito mais o que você vai encontrar nas Terras Altas da Mantiqueira! Não perca este espetáculo, que só as Minas Gerais oferecem!


Foto: Serra da Mantiqueira – Minas Gerais