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Monday, July 30, 2007

Sul de Minas: Caminhando pelo inferno, para chegar ao paraíso!


Minha nova profissão tem me possibilitado conhecer lugares maravilhosos, em todo o sul de Minas. Cidades, distritos e vilarejos dos quais antes só ouvira falar, agora fazem parte de minha vida.
Hoje mesmo, enquanto escrevo este artigo, estou em Maria da Fé, uma linda cidadezinha. A mais fria do estado. E espero comprovar esta fama, já que lá fora, cai uma chuva torrencial, o que deve fazer os termômetros despencarem.
Muitas destas cidades, como dizem por aí, só mudam de nome e de endereço. Em comum, lindas praças, geralmente muito bem cuidadas, onde aposentados passam as horas a “prosear” e onde os adolescentes namoram, à luz do dia, sem algo mais importante a fazer; imponentes igrejas, de construção suntuosa e decoração interna peculiar; casarões antigos, avarandados e com janelões pintados de azul, branco ou amarelo; ruas de paralelepípedo, cavaleiros e charreteiros andando pelas ruas; comércio de artesanato e doces, restaurantes com fogão a lenha, comida sempre saborosa e, o melhor: Um povo muito, muito hospitaleiro!
Andradas e Caldas, com seus vinhos e doces. Pouso Alto, Itanhandu, Itamonte e Passa Quatro, nas “Terras Altas da Mantiqueira”, com deliciosas pousadas e clima ameno. Areado, Alterosa, Conceição da Aparecida e Monte Belo, com sua arte em madeira, seus doces decorados e seus canaviais a perder de vista. Borda da Mata, Ouro Fino e Monte Sião, repletas de confecções de roupas de lã, linha, malha e pijamas. Carmo de Minas, Jesuânia, Olímpio Noronha, Cristina, Pedralva, Heliodora, Natércia, com suas ruas traçadas em torno da matriz e fazendas centenárias em seus arredores. Não é à toa que, andando por estas cidades, não é raro encontrar no comércio e nas ruas, forasteiros, vindos do Rio e de São Paulo, buscando a tão sonhada “qualidade de vida”, acolhidos – sempre - como filhos, nas terras sul mineiras.
O sul de Minas é um paraíso! E, como nos textos bíblicos, o caminho que leva ao paraíso não é fácil. Ou como diria uma personagem de um programa humorístico, os caminhos são duros, são cascudos...
Chupa essa manga: Em diversos trechos, o asfalto quase inexiste! Entre Lambari e Carmo de Minas, a estrada está em petição de miséria! Entre Cristina e Maria da Fé, uma região montanhosa, com muitas curvas, crateras dominam o cenário, colocando em risco as vidas daqueles que por ali se aventuram. Entre Machado e Poços de Caldas, passando por Campestre e Bandeira do Sul, a obra de “tapa buraco” deixou a pista com sobressaltos que mais se assemelham a “quebra-molas”. A situação não é diferente no trecho que liga Paraguaçu a Alfenas.
Cabem aqui algumas perguntas: E os turistas? Para onde vão? Preferirão eles enfrentar este verdadeiro “rali das alterosas” ou seguirão para as estâncias paulistas, com estradas duplicadas, asfalto atapetado e sinalização impecável? E os doentes, que dependem destes caminhos para conseguir tratamento em cidades vizinhas, com um pouco mais de estrutura hospitalar, a exemplo de Varginha, Pouso Alegre, Poços de Caldas, Alfenas, Lavras e Itajubá? Podem eles sacolejar em ambulâncias ou peruas das prefeituras, agravando seu estado de saúde? E os trabalhadores, que cortam estas rodovias, buscando e levando produtos e serviços? Podem estar à mercê da sorte, arriscando suas vidas?
Vamos reconhecer! Algumas obras estão em execução. Mas serão suficientes? Vale lembrar que o tempo da seca está no fim. Com a chegada “das águas”, todos sabemos o que acontecerá, não é? Mais buracos, crateras e desmoronamentos de pistas voltarão a acontecer. E as vidas de nossos cidadãos e dos turistas que nos prestigiam, voltam a depender da boa vontade de nossos políticos...
E é para eles, que vai o meu recado hoje:
- O sul e o sudoeste de Minas Gerais, somados, têm 2,4 milhões de habitantes; PIB de mais de R$ 16 bilhões, segundo o IBGE e um eleitorado capaz de eleger dezenas de deputados, estaduais e federais; capaz de desequilibrar uma eleição para o Senado ou para o Governo Estadual!
Cuidado, senhores! Ou vocês cuidam de nós ou cuidaremos nós de esquecê-los, quando chegar a hora da urna!
Vamos fazer com que o caminho que leva ao paraíso seja menos penoso... Estamos de olho! E, repetindo o chavão: Chupa essa manga!

Saturday, July 21, 2007

Festa e Tragédia: Sentimentos em contraste!


Quanto orgulho, ao ver nosso Diego Hipólito brilhar! Mais do que um grande atleta, um grande artista, que nos inspira a sensação de que o melhor do Brasil, realmente, é o brasileiro! Quanto orgulho de Jade Barbosa, menina órfã de mãe, longe da família, dedicada e disciplinada, sacudindo a poeira de um erro e subindo ao mais alto degrau do pódio, um dia depois, comprovando a máxima de que “somos brasileiros e não desistimos nunca”. Quanto orgulho das meninas e meninos do vôlei, do basquete, do handebol, do atletismo, do hipismo, da natação, da esgrima, enfim, de todas as modalidades, desde o popular futebol, chegando ao desconhecido badminton. Homens e mulheres representando um país, sem que ninguém se preocupe com a religião, a raça ou a sexualidade de cada um deles. Algo que deveria ser o natural, não somente em tempo de competições esportivas, mas, sim, em todos os momentos!
Em uma semana em que tudo deveria ser alegria, pelo sucesso dos Jogos Pan-americanos, uma nuvem de tristeza pinta nosso céu! Mais de 180 mortos. Milhares de pais, filhos, netos, avós, esposas, namorados, noivas e amigos enlutados. Famílias que sofrem a amarga dor da perda! Descaso total da companhia aérea e das autoridades aeroportuárias, que mantiveram estas mesmas famílias na mais completa agonia e ignorância, remoendo durante horas a fio, uma tristeza que teimava em não se concretizar, ainda que esmagando os corações daqueles que esperavam.
Que grande mistura de sentimentos! Lágrimas de alegria, pela execução do Hino Nacional, quando de nossas conquistas. Lágrimas de tristeza, pela execução de dezenas de vidas, em virtude do descaso, da falta de respeito, da falta de providências. Orgulho imenso de nossos atletas, que se esforçam, se dedicam e conquistam para nós, os louros da vitória. Asco profundo de nossas autoridades, que – mais uma vez – fazem da tragédia um palanque, fingindo uma dor que, sabem eles, poderia ser evitada com mais atos e menos palavras. Júbilo por Tiago, Diego, Jade, Renzo, Fabrício, Monique, Tatiana e dezenas de outros jovens que elevam nossa estima, engrandecem nossa nação! Luto por tantos, até agora, desconhecidos, que nos fazem sentir uma vontade, cada vez mais incontida, de sair às ruas, de protestar, de exigir soluções, de gritar que BASTA!
Quantos mais precisarão morrer, para que algo seja feito, senhores? Quanto tempo mais permitiremos que as coisas aconteçam assim? Quantos vitoriosos ainda teremos que perder em função da redundante imbecilidade, inépcia, inabilidade, incapacidade e idiotismo de nossos políticos?
No Pan, chegou a nossa hora, Brasil! Na vida, passou da hora, Brasil! Devemos aos nossos vitoriosos uma grande comemoração e aos nossos mortos, uma grande revolução! Voltemos às ruas! Para comemorar e para fazer justiça!
Chega de covardia! Façamos como Jade Barbosa:
- Perder, talvez. Desistir, jamais! Reagir, sempre!

Sunday, July 15, 2007

Quem precisa de auto-ajuda?



Perdoem-me aqueles que apreciam esta “arte”; mas acho inacreditável que alguém se dê ao trabalho de gastar tempo lendo fórmulas prontas de como fazer sucesso no amor, no trabalho, na vida ou na cama...

Eu mesmo já tentei. Vários títulos. Juro! Mas quando sentia o estômago embrulhar, tinha que abandonar a canoa! Nunca resisti!


1001 Formas de Ser Feliz... Argh! 2000 Formas de Fazer Sucesso... Minha nossa?! 69 Maneiras de Fazer Loucuras na Cama... Pelo amor!!!


O que pretende a grande maioria dos charlatães, autores de auto-ajuda? Jogar todos nós em um mesmo balaio, como se cada um não tivesse características individuais, criação familiar distinta, histórias de vida contrastantes? Como se meu chefe, seu líder ou nosso cacique reagissem de uma mesma maneira às situações no ambiente de trabalho? Como se namorados, esposas e amantes projetassem seus desejos através de um roteiro imutável? Como se os filhos de João, nascidos em São Paulo, e os de Maria, nascidos em Teresina, apresentassem um comportamento idêntico? Ora bolas! Não somos robôs. Não fomos programados para fazer assim e reagir assado. Somos fruto do começo, do meio e do fim de nossas tumultuadas vidas! Não fomos criados em um processo mecânico, não recebemos um manual de instrução junto com a certidão de nascimento.


Os livros de auto-ajuda, via de regra, são verdadeiros veios de exploração da fraqueza humana, baseados em experiências não confirmadas ou comprovadas de seus autores, que garantem a solução imediata de qualquer mal. Para eles, com toda a certeza, após encherem as burras com o suado dinheirinho dos que acreditaram em suas falácias...


Em qualquer sítio de busca, na internet, você poderá encontrar pérolas motivacionais, buscando conquistar, descaradamente, leitores pouco atentos. Um verdadeiro abuso à inteligência! Eles nos sugerem que, seguindo seus ensinamentos mágicos, seremos capazes de resolver desde problemas cotidianos e triviais, chegando à solução de temas com a mais profunda complexidade. Palmas aos “profetas”!


Com tanta gente talentosa escrevendo, por que desperdiçar momentos tão preciosos, de aprendizado, com lixo? Aventure-se por outros caminhos! Aprenda com quem não tenta te empurrar idéias goela abaixo. Leia Oscar Wilde, Saramago, Jorge Amado, Rubem Alves, Fernando Pessoa, Vargas Llosa, Neruda... Aprenda com eles! O cérebro é um músculo e, como tal, se não for exercitado, atrofia.


Se não quiser pensar, leia Sidney Sheldon, André Vianco, Anne Rice, Agatha Cristie... Divirta-se viajando junto com eles por todos os cantos do mundo! Ou, na pior das hipóteses, se você não gosta de ler, assista um filme. Afinal, como me contaram de alguém em uma mesa de bar: “-Todo livro bom, vira filme mesmo!”. Isto, sim, é que é auto-ajuda de qualidade!
Foto: Mario Vargas Llosa, nascido Jorge Mario Vargas Llosa, Arequipa, Peru, 28 de março de 1936), é um dos maiores escritores de língua espanhola, reconhecido, em nível mundial, como romancista, jornalista, ensaista e político. (Fonte: Wikipédia)

Monday, July 02, 2007

O Orgulho e a vergonha de ser...





Os últimos dias deixaram algumas mensagens. Inesperadas ou esperadas demais.

Assistindo ao noticiário regional, fui golpeado pela notícia de mais um brutal assassinato em terras sul mineiras. Francisco Manoel da Silveira, 28, garçom, figura simpática, educada, atenciosa, fácil de encontrar nas ruas de qualquer de nossas cidades. Cruelmente espancado, dentro de casa. Mais um crime de ódio, reforçando as estatísticas de meu último artigo. Mais uma vida ceifada. Mais uma família entristecida. E os culpados? Que vergonha de ser mineiro, sul mineiro...

No domingo, em praça pública, concerto com o maestro Wagner Tiso, 61, mineiro, de Três Pontas, um dos maiores compositores e arranjadores do país, respeitado internacionalmente. Acompanhado pelo violonista Victor Biglione e pelo violoncelista Hugo Pilger, Wagner Tiso emocionou os presentes, que resistiram com bravura ao frio de 13 graus. Harmônica convivência de crianças, jovens, adultos e idosos, de todas as classes sociais, vendo e ouvindo o que de melhor há na música brasileira. Que orgulho de ser mineiro, sul mineiro...

No último sábado, em um programa de auditório, Rogério Flausino, 35, mineiro de Alfenas, integrante da banda J Quest e Milton Nascimento, 64, de naturalidade carioca, mas mineiro, de Três Pontas, de coração, deram show! Fizeram toda a diferença na comemoração do aniversário de Serginho Groisman, ressaltando um programa totalmente Minas Gerais, escoltados pelo Alimenta Minas; dez rapazes trespontanos que, ao invés de praticar crimes, praticam música! Que orgulho de ser mineiro, sul mineiro...

Sexta-feira, Rodrigo Jesus Dias, 21, morre vítima de agressão, a socos e pontapés; briga de festa, em bairro da periferia. Os autores? Quatro rapazes. Alguma semelhança com o Rio de Janeiro? Que vergonha de ser mineiro, sul mineiro, carioca...

Que turbilhão de sentimentos! Em alguns momentos, orgulho total e irrestrito. Orgulho de nossos talentos, de nossa disposição para o bem. Em outros, vergonha de aqui ter nascido. Vergonha de estar sob o jugo de autoridades que, recebendo à custa de nossos impostos, sequer erguem a cabeça para vislumbrar a tristeza dos que ficam.

Com o olhar turvo e a alma repleta da vergonha de ser, recorro aos versos de Castro Alves:

“Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!“

Mas brasileiro, mineiro e sul mineiro que sou, não perco jamais a vontade, a esperança e o orgulho de ser. E então, recorro àqueles que me motivam, Wagner Tiso e Milton Nascimento:

“Mas renova-se a esperança. Nova aurora, cada dia. E há que se cuidar do broto. Pra que a vida nos dê flor e fruto.”

E pra finalizar, já que Francisco e Rodrigo não tiveram tempo, façamos com que o orgulho sobreponha a vergonha. Fiquemos com Rogério Flausino:

“Cospe a dor que a vida impôs. E sente o calor a cada momento. Se faça existir, agora! Descubra o que se pode ser. Já não importa o que ficou. Sente o quanto se quer ser. Sente o quanto há em mim.”

“Agora o que vamos fazer, eu também não sei. Afinal, será que amar é mesmo tudo? Se isso não é amor, o que mais pode ser? Estou aprendendo também.”