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Sunday, September 23, 2007

Bandidos de terno e vontade que arrebata!



Por motivos de força maior (ou deveria dizer, por motivos de nojo maior?), esta semana interrompo a série Circuitos MG. Deixo de escrever sobre as belezas de nossas Minas Gerais, para falar de lixo, podridão, falta de decoro. Aliás, falta de decoro, que nada! Falta de vergonha na cara! Falta de brio! Falta de dignidade! Falta de honra! Falta de pudor! Falta de garbo! Falta de nobreza! Falta de honra! Falta de todos os bons adjetivos possíveis.


Há alguns dias, fazendo uma volta pelo interior de São Paulo, passando por Socorro, Lindóia e Águas de Lindóia, tentando chegar em Monte Sião, parei em um posto de combustíveis à beira da rodovia. Queria me certificar do "placar" que, na minha inocente certeza, teria cassado o mandato do pulha, biltre, ordinário e vagabundo (por favor, acrescentem outros elogios!) Senador Renan Calheiros.


Amigos! Revelo que, poucas vezes, fui tomado por sentimentos tão ruins! Senti ódio, revolta, asco, aversão, náusea, repugnância, mágoa e vergonha...


Sim, VERGONHA! Um sentimento que poderia resumir todos os demais. Vergonha de me dizer representado por esta camarilha, por esta corja, por esta quadrilha formada pelos senhores Senadores da República. Bandidos de terno e gravata! E, desta vez, que me perdoem os bem intencionados de ocasião, mas faço questão de reuní-los em um só balaio!


Para justificar minha raiva - se é que se faz necessário -, vou contar um "causo" para vocês:
- No início da década de 90, Renan fazia parte da base de apoio de, ninguém menos que, Fernando Collor de Mello. Foi Ministro da Justiça (pasmem! Ministro da Justiça) no governo FHC, Presidente do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e do Conselho Nacional de Segurança Pública(CONASP). Para finalizar, foi um dos mentores do Estatuto do Desarmamento.


Dá para entender a situação em que nosso país se encontra?


Com tamanho tráfego, em três governos diferentes (Collor, FHC e Lula), não é de espantar que Renan tenha a força que demonstra. O excelentíssimo Senador da República possui - podem apostar - a mais valiosa moeda de troca: INFORMAÇÃO!


Com a arrogância que lhe é peculiar, Renan intimidou seus parceiros e opositores. Intimidou ministros e o próprio Presidente da República. E não caiu! Renan demonstrou que pode tudo. Pode enlamear o nome do Senado Federal. Pode encantoar políticos das mais diversas plumagens. Pode esquivar-se do castigo. Pode furtar,roubar, corromper e ser corrompido. Pode privilegiar alguns e mandar todos os demais para o final da fila. Afinal, ele é o super-hiper-mega SENADOR RENAN CALHEIROS, coronel das Alagoas, com procuração para legislar por toda a nação. Com direito de mandar prender e soltar. Com o poder de matar e ressuscitar. Ele é o próprio Messias! O pastor dos lobos e abutres.


Caros leitores, peço perdão por tamanho amargor. Mas minha boca e minha alma têm gosto de fel! A vontade que me consome, é a de marchar para Brasília. Ou mesmo para Alagoas, se for o caso. Meu ímpeto é o de vingança. O de vingança contra todos aqueles malditos que se dizem nossos representantes. Meu impulso, contrariando minha índole pacífica, é o de avançar contra eles, fazendo justiça com minhas próprias mãos.


Estou envergonhado! Compartilho minha vergonha com vocês. E a única coisa que espero, é que vocês também compartilhem seus sentimentos com os demais. E que façam destes sentimentos um GRITO. E que este grito chegue àquela casa parlamentar. Se precisam de ajuda, ou de informação, aí vai o endereço: http://www.senado.gov.br/


Já assinei dezenas de manifestos, nos últimos dias! Já alardeei meu descontentamento por onde passei. E, por último, encaminho este texto a todos os Senadores da República, como um último aviso. Aliás, como uma exigência: - Façam justiça, senhores!


Ainda é tempo! Não deixem que a vontade que nos arrebata se concretize...

Sunday, September 16, 2007

SÉRIE CIRCUITOS MG - SERRAS VERDES DO SUL DE MINAS (II)


Hoje, parto pelas estradas que levam às “Serras Verdes do Sul de Minas”. Mas antes de chegarmos a Camanducaia e Monte Verde, Extrema, Bom Repouso, Estiva, Cambuí, Gonçalves, Itapeva, Córrego do Bom Jesus, Bueno Brandão, Estiva, Conceição dos Ouros, Consolação, Munhoz, Paraisópolis, Sapucaí Mirim, Senador Amaral, Tocos do Moji, Toledo, Cachoeira de Minas e Inconfidentes, devo fazer uma reparação de algo que os criadores dos circuitos mineiros não perceberam.


Observando a composição de quaisquer das regiões que formam as rotas sobre as quais falamos e falaremos, passando pelo sul de Minas, a cidade de Pouso Alegre não está inserida em nenhum dos referidos circuitos. Uma injustiça, sobretudo quando tratamos das “Serras Verdes”, já que é quase obrigatório passar por esta importante cidade, principal pólo da micro-região formada por todas as outras, já citadas neste artigo.


Então, vamos lá! Pouso Alegre, que na prévia do IBGE já ultrapassa Varginha em número de habitantes, é uma cidade vibrante. E agora, por minha conta, passa a capitanear o Circuito Serras Verdes do Sul de Minas.


Às margens da BR- 381, a Fernão Dias, já é possível notar a força industrial desta praça. Entrando na cidade, obras saltam aos olhos. A Avenida Perimetral, em processo de duplicação, dará ao visitante a impressão de estar chegando a uma capital. É pena que tal obra ande a passos de cágado, arrastando-se há meses, deixando em seu rastro buracos criados pelo descaso e erguendo uma poeira que só não é constante porque, às vezes, é substituída pelo barro, formado quando caminhões pipa despejam rios d’água em toda a extensão da pista. Pó e terra molhada, prejudicando intensamente os comerciantes e prestadores de serviços que ali estão instalados.


Centenas de pessoas caminhando pelas ruas, sensação de pressa, dificuldade para encontrar vagas de estacionamento na região central, que apresenta o contraste de largas avenidas contra ruelas, onde mal é possível trafegar. Pouso Alegre transpira o desejo de um futuro brilhante. E aqui cabe o “senão” da vez: Apesar de todo o dinamismo do povo pouso alegrense, é triste verificar que a cidade está entregue à própria sorte, após a vergonhosa cassação do ex-prefeito Jair Siqueira, acusado de favorecimento a empresas em pelo menos cinco contratos realizados no início de 2005, o que teria causado um prejuízo de mais de R$ 2,7 milhões aos cofres públicos. Como em quase todo o resto do país, em Pouso Alegre , as coisas não são diferentes. Se os políticos permitirem, a coisa anda por si só!


Seguindo pela Fernão Dias, como bem descreve o site www.idasbrasil.com.br: No sul de Minas, uma muralha verde dá as boas vindas. A Serra da Mantiqueira, com suas matas fechadas, foi um grande desafio para os primeiros desbravadores. Hoje, entretanto, é destino obrigatório para eco turistas, caminhantes e amantes do clima de montanha. Os prazeres do frio encontram morada neste circuito.


Passando por Estiva e Cambuí, onde as plantações de morangos enchem os olhos, é possível saborear a fruta, cultivada tradicionalmente ou de forma orgânica, em barraquinhas que se espalham nas beiras da BR. Monte Verde, distrito de Camanducaia, conhecida como a “Suíça Brasileira” oferece belas caminhadas e cavalgadas, deliciosos hotéis com lareiras, bons vinhos e a saborosa culinária alemã. Excelente destino para quem quer namorar ou desfrutar a companhia dos amigos, curtindo um gostoso friozinho. Extrema, já na divisa com o estado de São Paulo, oferece lindas cachoeiras, onde é possível praticar o rafting e serras com mais de 1.700 metros de altura, das quais os mais ousados podem saltar, na prática do vôo livre. Em Paraisópolis, o vôo livre também está presente. Ali, pode-se praticar também o “motocross das montanhas” e, depois, saborear a mais típica e saborosa comida mineira. Finalmente, chegamos a Gonçalves que, ao lado de Monte Verde, vem se firmando como ponto de referência no turismo deste circuito. Em Gonçalves, os passeios ecológicos são o ponto forte. Os roteiros das Andorinhas, Cruzeiro e Simão oferecem deslumbrantes cachoeiras e paisagens de tirar o fôlego.


No Circuito Serras Verdes do Sul de Minas, a natureza é o principal espetáculo... E o povo, é claro, recebe com o calor humano típico das Minas Gerais, espantando o frio e alegrando a alma!


(Foto: Monte Verde, distrito de Camanducaia/MG)

Sunday, September 09, 2007

Série Circuitos MG - Caminhos Gerais (I)


A partir desta semana, farei uma série de artigos falando dos "circuitos" turísticos de Minas Gerais. Suas belezas, seus encantos, sua história, seu povo e suas agruras também! Em alguns casos, farei paralelos com fatos políticos, sociais, econômicos e culturais destas regiões, tentando demonstrar o efeito de tais episódios na vida destas regiões.

Para começar, falarei do Circuito "Caminhos Gerais", onde - não por acaso - estou passando esta semana. Hoje estou em Poços de Caldas que, juntamente com Andradas, Caldas, Bandeira do Sul, Botelhos, Cabo Verde, Campestre, Congonhal, Ibitiúra de Minas, Ipuiúna, Machado, Poço Fundo, Santa Rita de Caldas, Senador José Bento, Silvianópolis e São João da Mata, integra este belíssimo circuito. Uma região próspera, capitaneada pela linda Poços de Caldas, que se destaca por seu porte (é a maior cidade do Sul de Minas), pela estrutura física, com ruas largas e bem traçadas, por seu parque industrial, que passa por frigríficos, mineradoras, fábricas de cristias e até suplementos alimentares, por seus inúmeros atrativos turísticos e, sobretudo, pela excelente qualidade de vida, classificando a cidade como possuidora do melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no estado de Minas.

Ao lado de Poços, está a acolhedora Andradas, com jeitão de cidade grande, terra de vinícolas tradicionais e de um povo com forte ascendência européia, o que proporciona, ao observador mais atento, verificar a grande pressão cultural e racial que o "velho mundo" exerce sobre a região. Na onda de Andradas, seguem Caldas e Santa Rita de Caldas, com suas inúmeras fábricas de doces caseiros, lindas igrejas e um povo extremamente acolhedor. Infelizmente, existe um senão: As péssimas condições em que se encontram as estradas que ligam estas cidades, com exceção do trecho entre Caldas e Poços de Caldas. Caminhos tortuosos, montanhosos e muito arriscados, em virtude dos buracos, que tomam conta do percurso.

No triângulo formado por Campestre, Poço Fundo e Machado, o destaque é para a cafeicultura. Ali podemos observar as lavouras a perder de vista, fábricas e revendas de máquinas agrícolas, uma evidente organização cooperativa dos produtores e um ranço sempre presente do coronelismo que sempre marcou o cultivo do café no Brasil. Campestre tem também a tradição moveleira, com indústrias de renome nacional. Já Machado, é motivo de destaque também pela presença de uma excepcional Escola Agrotécnica Federal, pelo café - considerado durante muitos anos o "melhor do mundo" -, por uma rede universitária que vem desabrochando e, principalmente, por um povo que comprova a máxima de que "o mineiro é o melhor anfitrião".

Em todo o Circuito Caminhos Gerais, nota-se o carinho com que o turista é recebido. É o reconhecimento àqueles que levam divisas à região. Uma mesa estará sempre preparada, com as melhores "quitandas" mineiras. Doces, queijos, pães de queijo e o melhor dos cafezinhos. Seja onde for, em qualquer destas cidades, você estará em casa, pode apostar e conferir!
(foto: Fonte dos Amores - Poços de Caldas/MG)

Monday, September 03, 2007

Só de Sacanagem: -Mulher, negra, lutadora e inconformada!


Na voz da Ana Carolina, já foi um sucesso. Mas tenho que confessar: Fiquei emocionado ao ouvir o texto “Só de Sacanagem” da boca de sua autora, Elisa Lucinda. Atriz, jornalista, poeta, mulher, capixaba e negra. Brasileira como tantos milhões de outros. Lutadora, otimista, quase utópica, com um projeto – já aceito pelo governo estadual do Espírito Santo - de levar poesia à escola pública, mostrando aos alunos uma forma musical e nada rebuscada de contar histórias... Levando arte e esperança aos seus pequenos conterrâneos.


Meu artigo de hoje, também tenho que confessar, é uma cópia! Uma cópia de algo que vale e deve ser divulgado! Uma homenagem àqueles que ainda têm a capacidade de indignação! Uma homenagem àqueles que pagam limpo aos que devem e recebem limpo do freguês. Uma homenagem a quem teima em ser honesto. Nem muito honesto, nem pouco honesto. Honesto. E ponto!

Só de Sacanagem
(texto de Elisa Lucinda, 49 anos, nascida em Vitória-ES, negra, atriz, jornalista e poeta)
Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem!

Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!